Ontem, assistindo a chamada do Fantástico para o programa de hoje, pensei alto "Bah, nada de bom", ao que meu pai respondeu: "E era um programão, né? Agora... ".
Me surpreendi com a avaliação dele. Achei que eu não gostava mais do Fantástico porque acesso a internet o dia todo, leio blogs, revistas, assisto Fox News e CNN, nada mais no programa, pra mim, é novidade, e blocos sobre celebridade não me interessam.
Meu pai foi agricultor metade da vida, vigilante noturno outro 1/3. Morador de interior, nascido numa época (e família) em que ir para a escola não era importante, tem só a terceira série - e faz contas de cabeça, infinitamente melhor que eu. A relação dele com os meios de comunicação? Fez um curso de rádio por correspondência pelo Instituto Universal Brasileiro quando eu era muito pequena. Hoje assina um jornal local, que lê de cabo a rabo diariamente, ouve rádio com frequência, assiste tv aberta, na Sky é fã do Animal Planet e diz assistir bastante também um canal de notícias, que suponho ser a Record News porque "é bom que fica passando outras notícias em português ali embaixo". Ele nunca mexeu num computador, lê alguma coisa que está na tela do Engeplus quando estou trabalhando, ou quando mostro, raramente. Consegui recapitular tudo isso em segundos e responder pra ele: "mas será que foi o Fantástico que piorou ou a gente que melhorou?". Ele parou, pensou e concluiu que "é, pode ser.".
O Fantástico já foi nossa maior fonte de informação, desde antes da Isadora Ribeiro mostrar seu bocão na abertura. Era no domingo à noite, em frente à TV preto e branco, no sofá de corino da sala de madeira com paredes sem pintura e sem vizinhos num raio de quilômetros, que ficávamos sabendo de coisas que não imaginávamos que existia. O homem que recebeu o coração de um macaco em um transplante foi comentado por vários dias! Atualmente, até para o meu pai, pessoa simples e totalmente offline, o programa não serve mais. Mas a culpa é da produção, ou o programa continua o mesmo, nós que melhoramos de vida, passamos a ter acesso a mais fontes, ficamos mais críticos? Deixamos de ser o público-alvo da revista eletrônica? Ou o programa mudou de público-alvo, despencou de nível? Aceito pontos de vista antes de concluir o meu.
1 Tire e atire aqui:
Já foi bem melhor... está tudo muito previsível.
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