A base da Festa das Etnias, em Criciúma, é a culinária típica. Durante dez dias, espanhois, italianos, negros, poloneses, portugueses, árabes e alemães disponibilizam ao público tradicionais receitas de seus países de origem, com o objetivo de difundir a cultura dos povos que colonizaram a cidade. E numa festa gastronômica de culinárias diferenciadas como é que o visitante se sente atraído a provar sabores que não conhece? Olhando para a comida. Não é natural essa curiosidade em espiar os pratos para escolher o que comer? Para os poloneses sim, entrei no restaurante, passei pelo buffet, legal. Para os portugueses também, problema nenhum. Agora tente entrar no restaurante da etnia negra pra ver. O cidadão que estava na porta foi extremamente grosso e se limitou a dizer: o cardápio está escrito ali na porta! Sim, todos exibem os nomes dos pratos, mas ler e ver são sentidos diferentes. Ainda insisti, educadamente, e o sujeito manteve sua postura, não e pronto. Caso isolado, peguei o cara num mal momento? Não. Tentei entrar justamente porque soube de uma história semelhante em outra edição da festa, não sei se é sempre a mesma figura na porta ou uma regra da etnia. Mas não faz sentido. Despreparo total tratar um visitante desta forma. Se a ideia da festa é manter viva a cultura, me pareceria mais inteligente ter orgulho de levar o interessado até o buffet e apresentar cada prato, destacar ingredientes, deixar a pessoa com água na boca. Ah, mas é muita gente, não dá pra dar este atendimento vip. Ok, mas acredito que apenas uma minoria peça este tour, e essa minoria normalmente é formadora de opinião, insere gastronomia nos seus assuntos cotidianos. E mesmo sem isso: é uma festa, quem vai deseja, no mínimo, ser bem tratado. Grosseria não combina com atendimento ao público.
P.S.: Azar de quem não me deixou entrar. Jantei no restaurante português enquanto esperava o árabe esvaziar pra sentar lá e comer mais umas coisinhas. Sim, eu vou pra comer mesmo, não pra pentelhar.
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