Voltar do carnaval de Laguna pede um post sobre
a criatividade dos manés depois do segundo goró. Vi e ouvi de tudo. O cretino que resolveu mijar (sim, um ser como ele tem que ter um termo à altura) na rua merecia um troféu.
Ahhh, Lene, que é que tem? É carnaval, e muito homem faz isso nesse tipo de situação! Ok, ok.. mas com o pingolim virado pro muro ou pra parede ou num cantinho, não? Tô falando do sujeito que
mirou o oito centímetros pro asfalto e mandou o jato na minha direção. Deprimente. E se a ideia era constranger a mulherada, saiu pela culatra. Afinal, com exceção de alguma fantasiada de detetive, as demais não andam com lupas.
O bêbado que chega se esfregando e larga no ouvido cumprimentos como "
daí, princesa", "
oooo linda" e afins nem merece que se gaste teclado pra relatar muito detalhe, mas cabe um resumo. Geralmente vem trajado apenas de bermuda, e
tem o físico do Salsicha, companheiro do Scooby. Mas, graças ao álcool, sente-se o Paulo Zulu. Ignorei uma abordagem dessas e o amigo do bêbado correu atrás de mim pra fazer a defesa:
é que ele só sabe falar isso em português. Não voltei, mas acreditei. A cara do sujeito era de quem não tinha mesmo muito mais que quatro palavras no vocabulário inteiro.
Já o bêbado geográfico chega com a relevante pergunta: "
tu é daqui?"? Que diferença faz?
Coleciona cartão postal e vai pedir pra eu enviar um? Os pertencentes a essa categoria levaram várias respostas diferentes, acompanhadas (nem sempre) de um tchau.
E eis que no meio da bebalhada acéfala, apareceu um bêbado dotado de memória. Me encontrou na rua e disse que era a décima segunda vez que estava me vendo. Ri. Aí ele perguntou se eu não tinha ido ao supermercado de manhã. Eu tinha. Perguntou se eu não estava com outra bermuda. Eu estava. Perguntou se eu não vi o carro tal na volta do supermercado. Eu vi, até porque não teve como não olhar, já que o bêbado abriu a janela e gritou "
loiraaaaa eu te amooooo". Graças à existência do cérebro, coisa que admiro, foi dispensado com certa educação. Apesar de usar uma
fantasia de camisinha, que ele chamava de fantasia de pinto. Só bêbado pra achar aquilo vantagem.
O melhor bêbado, no entando, foi
o engraçadinho. Estava eu escondendo os loiros sob um chapéu amarelo, brilhinhos e tal, como pede o carnaval. Vejo o sujeito mirando a reta e vir na minha direção. Põe a mão no meu chapéu, dá duas batidinhas, olha pra mim e dispara:
bem que achei que tu tinha a cabeça oca. Esse levou só risada. Pelo menos foi original.
Por essas e outras que recomendo:
se beber, mantenha-se calado.